quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Tenho Saudades...

Tenho saudades de ti. Saudades dos nossos momentos... Saudades dos nossos momentos bons e dos maus também. Tenho saudades das nossas conversas sem pé nem cabeça, saudades das nossas discussões. Tenho saudades dos nossos passeios, da nossa vida nada parecida, do teu sorriso quando falavas algo engraçado, da tua cara de ódio, quando mesmo sem querer eu te irritava.

Saudades do nosso amor intenso, único e todo errado, das nossas manhãs, tardes, noites e madrugadas. Tenho saudades do teu ciúme com fundamento e dos sem fundamento também. Saudades dos teus medos e da maneira que eu cuidava deles. Saudades da maneira como tu te preocupavas comigo, saudades da tua fraqueza, que me dava força para ser forte. Saudades do nosso primeiro beijo e do último também.

Saudades da nossa vida tão igual e tão desigual. Tenho saudades de quando tu aparecias do nada e me fazias sorrir pelo simples facto de estar ali. Tenho saudades do teu amor intenso, da maneira que tu dizias “eu amo-te” deixando um brilho nos meus olhos. Saudades das tuas mãos nas minhas, a minha boca na tua. Saudades dos meus braços à procura dos teus e dos teus braços procurando os meus.

Tenho saudades dos planos que fizemos, dos nossos sonhos impossíveis que na nossa vida tentamos juntos construir. Tenho saudades de tudo que se realizou e de tudo que não se realizou. Os nossos telefonemas antes de dormir, as nossas palavras doces, nossas palavras duras e a nossa vontade de ser o outro de ser do outro. Tenho saudades da nossa música que até hoje toca para me fazer sentir mais saudades. Saudades dos nossos presentes no Natal e aniversários, da tua vontade encantadora de me surpreender.

Tenho saudades de ti ao meu lado, tenho saudades da tua presença em mim mesmo na tua ausência. Tenho saudades de ti fazendo-me chorar e eu fazendo-te sofrer. Tenho saudades de tudo o que vivemos e do que não conseguimos viver. Tenho saudades da tua maneira de não saber me amar que me fazia sentir o homem mais amado do mundo. Tenho saudades da nossa dependência um do outro, da nossa forma de esquecer o mundo quando estávamos juntos. Da nossa maneira simples de ver a vida. Vida que não foi nada simples.

Tenho saudades de ser teu, só teu. De te pertencer inteiramente, fazendo parte da tua vida, saber o que estavas a fazer e com quem estavas a fazer. Tenho saudades da nossa história, a mais estranha que alguém já escreveu. Tenho saudades do que contamos um para o outro, dos segredos que temos, que escondemos. Saudades do meu aniversário, do teu aniversário. Saudades do nosso “tempo”, de cantar mas estar a cantar só para ti. Tenho saudades do nosso namoro escondido, onde só éramos eu e tu. Tenho saudades do nosso amor, nossas juras, nossas promessas, nossos encontros e dos nossos desencontros.

Tenho saudades de dizer “amo-te para sempre”, 4ever. Tenho saudades de ouvir “amo-te para sempre”, 4ever. Tenho saudades de estar contigo, simplesmente por estar. Tenho saudades de tua amizade, da tua força e de tua confiança em mim, em nós. Tenho saudades da tua voz, do teu carinho, da tua paixão, do teu desejo, das tuas loucuras, da tua inteligência, do teu talento. Saudades de ti quando estavas comigo. Saudades de mim quando estava contigo. Saudades do nosso casamento que não aconteceu. Saudades dos filhos que não tivemos. Saudades da cama que não dividimos. Saudades do futuro que não vivemos. Saudades de ti.

Mas o que mais dói de toda esta saudade é saber que de tudo que eu sinto saudades está destinado para outro alguém. Outro alguém que já odeio antes de existir, outro alguém que não terá a mesma saudade que eu sinto, porque não serei eu. Como dizia o poeta “em algum lugar deve existir, uma espécie de bazar, onde os sonhos extraviados vão parar”. Acho que os nossos sonhos e planos se extraviaram e foram parar nenhum lugar, mas na minha mente, nela pararam e não me deixam seguir em frente nem viver, não me deixam sentir saudades de outro alguém. E é por isso que vivo sentindo saudades. Saudades de mim, de ti, saudades de nós...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

fases da vida

Quando há músicas que nos tocam, e nos movem, e músicas que nos inspiram tudo, enquanto escrevo este texto ouço uma musica, que me mexe bastante, e com tudo já nao a ouvia há uns bons 3 anos, ou mais. Agora estou aqui, deu-me vontade de escrever, e de mostrar como me sinto(...) como eu gosto de escrever e tal, decidi! Que seca deve ser ler isto, já pensaram como deve ser nadar no oceano, uma noite inteira com a lua cheia, com o ar a correr pelo nosso corpo, com a água salgada a inundar o nosso corpo, e a nossa mente apertada e cheia de medo dos perigos que enfrentamos no mar, mas por um lado só queremos ir á profundeza total do oceano, pesquisar tudo, deixar tudo na nossa memória, já pensaram alguma vez num mundo em que só chuvia ? Eu não aguentava por acaso, mas até que faz bem a água(...) faz-nos reflectir, pensar, integrar bem as coisas. Será que digo bem isto ? Pelo menos tento, quando tentamos ser felizes há sempre obstáculos, e se não houvesse ? Se fosse tudo perfeito e se tivessemos sempre dinheiro para tudo, sinceramente eu não achava piada nenhuma, tudo está na luta e na sobrevivência, há milhões de pessoas diferentes, eu sou bastante diferente por acaso de muitas, e sempre pensei de uma forma esquesita talvez. Mas gosto de me conhecer melhor ao ler estes textos a noite toda, penso na minha vida em cada noite que passa e não tenho nada para fazer, espero pela minha opurtunidade, já a tive é verdade, mas acho que talvez mereça uma segunda, porque não sou má pessoa(...) eu posso mudar, mas tou aqui, sozinho a tentar decifrar o código da vida, será que eu sozinho consigo enfrentar o mundo ? Ou preciso de uma pessoa que me ame, que me dê forças e energia para aguentar tudo, essa pessoa vai mesmo ter que ser a minha proteína, a minha vitamina, a minha estrela, a minha metade para eu conseguir isso tudo talvez. Quem sou eu ? Um miúdo normal com 16 anos, com uma mente fechada, mas sempre disposta a poder dar um sorriso e um olhar, oops a música acabou mas a sua melodia continua no meu ouvido e continuo disposto a lutar até ao fim mesmo que já não haja nada para lutar, pelo menos um olhar de alguém vou ter, a minha auto-estima anda em baixo, não sei porquê mas acho que isto me mata um bocado por dentro e não me aptece sair de casa, tou num quarto e não vejo nada. Sinto-me vazio. Eu sou capaz de fazer alguém feliz :)

sábado, 21 de novembro de 2009

Perdido

Ele estava perdido.

Caminhava lentamente, com um passo certo e aferido, um passo sem pressa, mas também sem objectivo. Procurava algo, mesmo que não soubesse ainda o quê.

Subia ruas e trepava por escadinhas perdidas, conquistava colinas de betão e embrenhava-se por becos. Desafiava multidões de faces vazias e olhava para o céu azul. Caminhava, caminhava, caminhava. E sabia já que continuaria a caminhar até encontrar aquilo que queria, mesmo que não soubesse o quê.

De súbito, viu-se a si próprio. Continuava a caminhar, era ainda ele, mas via-se a si próprio de um ponto distante. Os seus passos continuavam e ele comandava-os com a mesma regularidade de sempre. Era ele, mas havia outro ele, mais distante, que o via também. E esse também era ele, como se de um sonho se tratasse, como se por alguma razão o seu espírito tivesse escolhido repartir-se pelo espaço e estender-se a seu prazer. Pouco a pouco, foi só essa realidade que contou, foi só essa a perspectiva que ele escolheu para se guiar. Estava agora a caminhar e a ver-se pelos olhos de outrem, mas através de si mesmo.

Tudo isto lhe fazia sentido.

E viu-se, pobre criatura perdida, vagueando, errando sem esperança, ou com talvez esperança a mais no seu coração. Haveria sequer diferença? A sua silhueta era indistinta. Ele via-se contra a luz do sol brilhante, ela era um vulto que contrastava com os tons laranja das reflexões citadinas, com a imobilidade da beleza dos bairros antigos que atravessava. No topo de uma colina onde se encontrava, só se via como vulto disforme, rasgado, um pedaço de escuridão andante, perdido, perdido…

Sentiu vontade de parar. Sentiu vontade de ceder à sua dúvida. Sentia uma incomensurável ânsia de retroceder e regressar, fosse para onde fosse que ele provinha, sentiu aquela dúvida que acomete a alma que deixa de encontrar razões para prosseguir na sua demanda. Interrogou-se porque é que tinha de fazer aquilo, interrogou-se acerca do seu objectivo e do seu derradeiro fim. Chegou mesmo a ter a manifesta imprevidência de se interrogar sobre o que procurava.

Não conseguiu responder, mas também não soube dizer porque é que não conseguia encontrar resposta. Não havia razão para avançar. Não havia razão para retroceder.

Continuou, vulto indistinto das trevas assoladas, continuou na sua caminhada…